quinta-feira, fevereiro 09, 2006

(Crítica) Munich

Munich
de Steven Spielberg
(2006)

"Every civilization finds it necessary to negotiate compromises with its own values."

Há sensivelmente um mês atrás ouvi a seguinte comparação: "Munich é como Cavaco Silva, antes de estar pronto para se candidatar ao que quer que seja já ganhou tudo o que havia para ganhar". A realidade revelou-se diferente da previsão e o novo filme de Steven Spielberg teve uma prestação modesta nos diversos prémios recentemente atribuídos. Pessoalmente tenho pena, qualidade é coisa que de certo não lhe falta.
Em 1972, durante os Jogos Olímpicos de Munique, onze atletas israelitas foram capturados e executados por um grupo terrorista palestiniano. Como retaliação, Israel criou um esquadrão que enviou para eliminar um por um os responsáveis pelo massacre. São as acções desta equipa, liderada por Avner (Eric Bana), que acompanhamos em Munich.
O grande trunfo do filme, aquilo que faz dele uma obra especial e o distingue dos restantes filmes do género, é resistir ao facilitismo da condenação imediata e peremptória e oferecer uma perspectiva tremendamente humana dos acontecimentos, conseguindo-o fazer de forma exímia devido ao magnífico desenvolvimento das componentes emocional e dramática das suas personagens.
Tecnicamente irrepreensível, Munich é acompanhado por uma excelente banda sonora - elaborada por uma lenda viva, John Williams - que a cada momento potencia o sentimento que o filme procura criar em quem assiste. As interpretações são globalmente muito boas e não seria justo destacar nenhum actor em particular.
Depois de um The Terminal algo rotineiro e do sentimento de desilusão com que fiquei depois de ver War of the Worlds, comprovar a qualidade de Munich teve o sabor especial da reconciliação com um dos melhores realizadores ainda em actividade. Se no dia 5 de Março as estatuetas douradas destinadas a premiar o melhor filme e o melhor realizador forem para Munich serão certamente muito bem entregues.
9/10

6 Comments:

Blogger H. said...

tal como tu tb Guerra dos Mundos me desapontou e tb Munich me reconciliou com Spielberg. fui ver com pcas expectativas e sai bastante satisfeita.
no entanto, no dia das estatuetas, continuo a apostar em Brokeback Mountain, uma obra concomitantemente clássica e arrojada, que considero ligeiramente superior a Munich...

10:11 da tarde  
Blogger Knoxville said...

Eu vejo uma carrada de 9's a este filme por tudo o que é lado e ainda não vi um único 10.

Espero bem que seja bom, pois os dois últimos de Spielberg desiludiram-me um pouco (War of The Worlds imenso, uma barrascada total).

Cumprimentos.

11:13 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

O Ricardo só dará um 10/10 quando vir um determinado filme começado por Paris e acabado em Texas.

11:17 da tarde  
Blogger Ricardo said...

Boas!

Helena, quando disse que ficavam bem entregues estava a falar em termos absolutos porque ainda não vi o Brokeback...

Knox, vai ver e vais gostar... espero eu 0:P

Deco, o Paris, Texas não vi mas eu depois cravo-te o DVD :P

11:45 da tarde  
Blogger Nuno said...

Eu vi os dois um a seguir ao outro e a minha opinião é que o Brokeback não se chega sequer perto do Munich. Tenho cá uma impressão de que vou ter uma noite muito triste no dia 5, com o Brokeback a sair vencedor, muito mais graças à controvérsia do que à qualidade. Espero estar profundamente enganado.

12:38 da manhã  
Anonymous Paulo Mota said...

Sinceramente não achei este filme nada de especial. Está bem filmado e claramente melhor do que o Spielberg tinha feito até á data (olha que era dificil para ti tb...) Mas acho que todos ficaram muito comovidos lá com a história e ele ter usado imagens/reportagens reais la para o meio o que pronto todos acham giro e comovente. Eu pessoalmente falando acho estes filmes politico reais desnecessários e chatos.
Munich não é chato e tb n é um mau filme....mas longe de ser o que todos dizem um GRANDE e memoravel filme. Para mim dava-lhe um 7/10

Fico apenas á espera do Indiana Jones...se ele conseguir estragar esse (ao menos partilha na asfixiação do mesmo vomito). Digo que ele perdeu o seu Midas Touch...

8:36 da tarde  

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