domingo, março 05, 2006

(Crítica) Capote

Capote
de Bennet Miller

É refrescante ver um filme sobre uma personalidade como Truman Capote sem cair nos lugares comuns já explorados.
O filme fala-nos do escritor norte-americano que nos deu “In Cold Blood A True Account of a Multiple Murder and Its Consequences”, uma obra que trata do assassínio de quatro pessoas. Nos dias de hoje isso é, de uma forma triste, algo que já não nos choca da mesma maneira. O mérito da obra, residia no facto de ser baseado em factos verídicos e fruto de uma extensa pesquisa de Capote.
E é precisamente desta pesquisa e da relação que o escritor cria com Perry Smith, um dos assassinos, que surge Capote.
A homenagem do autor, não pela sua vida (e facilmente se faria um filme sobre a vida de Truman Capote), mas pela sua obra mais emblemática, é uma forma bonita de mostrar ao mundo a importância da pessoa. Para além disso torna, a meu ver, o filme numa obra mais meritória e mais interessante.

Sem grande rodeios, o filme é na sua grande parte Phillip Seymour Hoffman.
O trabalho do actor é grandioso, criando uma personagem absolutamente genial e cheia de detalhes. O seu porte, assim como a sua postura, são trabalhados ao ínfimo pormenor. É um trabalho de método fantástico que vai desde a alteração da voz para se aproximar da de Capote, até a pequenos tiques nervosos no lábio superior.
Este trabalho é depois potenciado por Bennet Miller, que serve de catalisador para Hoffman. Todos os detalhes da personagem são filmados de forma quase ciêntifica. Os planos apertados mostram a personagem quase despida, os grandes mostram as máscaras sociais de Capote. Todo o filme é da personagem. E se aí reside mérito, também reside um problema.

Ao sair da sala queremos saber mais. Mais sobre o livro, mais sobre Capote, mais sobre tudo. Sente-se que embora o filme tenha um extremo cuidado com o trabalho do autor, apenas o toca superficialmente. Mostra os motivos e mostra o trabalho final. Mostra a pesquisa e mostra os métodos. Mas fá-lo de forma ligeira (não no tom, mas na própria narrativa).

Capote é um fantástico filme mas que fica ligeiramente distanciado daquilo que poderia ter sido.

8/10

2 Comments:

Anonymous Paulo Mota said...

O que é? é o que o realizador quis que ele fosse. O que poderia ter sido é uma fantasia que so existe num mundo de cada um! e está sozinho. Um filme sai como um realizador quer(90%) quer disser que n foi o que poderia ter sido, está a interferir (MAL) na sua arte. O unico direito que se tem é de interpretar a visão dada...a que nós queriamos que fosse ou criamos a espectativa não serve como comparação! Nós não somos nada para com a arte dos outros apenas para com a nossa! E para os que n fazem arte...limita-se apenas a ver e isso já é um grande prestigio!

2:11 da tarde  
Anonymous Paulo Mota said...

Erros: quer = quem
limita-se = limite-se

....sleepy...

2:13 da tarde  

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