quarta-feira, março 01, 2006

(Crítica) Brokeback Mountain

Brokeback Mountain
de Ang Lee

Antes de estrear em Portugal o último filme de Ang Lee vinha acompanhado de uma bagagem bem pesada. Não só era um forte candidato a ganhar todos os prémios de cinema, como tinha todo o celeuma de amor gay a povoar todos os jornais e revistas .

O tão famoso e odiado hype que o filme trazia não me moldou a opinião, mas não pude deixar de pensar no porquê do fenómeno em torno do filme.

Brokeback Mountain conta-nos a história de dois guardadores de ovelhas que, por força das circunstâncias, se vêm forçados a passar um Verão inteiro isolados na montanha a trabalhar. Jack Twist (Jake Gyllenhaal) e Ennis del Mar (Heath Ledger) descobrem um no outro o conforto necessário para passar esta temporada. De seguida, vem a paixão e consequentemente o amor que eles tentam esconder do mundo a todo custo. Os anos passam, e cada um segue a sua vida, casando e tendo filhos, mas o laço que criaram na montanha Brokeback é mais forte do que tudo isso. Disfarçando os seus encontros de pescarias, continuam a encontrar-se e a manter esta relação condenada pela sociedade.

Será que o filme teria tanta exposição mediática se fosse um homem e uma mulher a apaixonarem-se?

Não.

E isso é sinónimo de falta de qualidade do filme?

Não.

Então o filme é assim tão bom como dizem?

Não.

Para mim, Brokeback Mountain, é apenas um filme romântico. Da mesma maneira que outros milhares de filmes nos trazem amores condenados, este conta exactamente isso. A diferença deste para outros milhares é que fala de dois homens. Contudo, não tem mérito especial por isso (não é a primeira vez que tal se faz no cinema), nem tem nas actuações ou realização mérito especial.

Os dois actores não estão ao mesmo nível. Jake Gyllenhaal tem um prestação muito boa, que se deve em grande parte ao facto de ser um actor carismático. A sua personagem é criada e desenvolvida de uma forma muito segura e consistente. Contudo, Heath Ledger tem uma actuação menos conseguida e mais exagerada, roçando por vezes a caricatura do cowboy (e talvez por isso falem de um filme sobre cowboys gays) e que, consequentemente, tira alguma dinâmica ao desenvolver da relação.

O trabalho de Ang Lee é meritório mas não genial. Filma muito bem mas conta a história de forma simplória. Tal não seria problema se a história não o fosse também. O grande mérito prende-se então numa fotografia exemplar onde muitos fotogramas são autênticos quadros.

O filme é, no seu geral, uma agradável obra de cinema, mas que a meu ver não é extraordinária.

6/10

6 Comments:

Blogger Ricardo said...

O primeiro filme que vimos todos criticamos e logo tinhamos que estar +- de acordo... vê lá é se te despachas a dizer mal do Munich :P

5:03 da tarde  
Blogger luis said...

eu nao vou dizer mal do munich...é pena...

5:54 da tarde  
Blogger nuno said...

valorizo um pouco mais o trabalho de realização, no seu trabalho directo com o director de fotografia... de resto temos uma visão relativamente parecida sobre o filme. ah n é pena nenhuma n dizeres mal do munich. cumps

10:30 da manhã  
Blogger Ricardo said...

quando disse é pena era no sentido de haver alguma diversidade de opinioes no blog... ja que ng opinou sobre o matrix revolutions e tu n escreveste nada sobre o revolver :P

5:17 da tarde  
Blogger luis said...

não é o nosso nuno ricardo :P

6:45 da tarde  
Blogger Ricardo said...

/me enfia-se num buraco...

desculpa nuno que não é o nosso nuno :P

7:20 da tarde  

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