sábado, janeiro 21, 2006

(Crítica) Match Point

Match Point
de Woody Allen
(2006)

“The man who said “I’d rather be lucky than good” saw deeply into life.”

Assim começa o trailer, assim começa o filme e é à volta do que esta frase encerra que roda Match Point, o melhor filme de Woody Allen nos últimos anos.

O registo leve de comédia que o realizador norte-americano costuma usar para abordar questões mais profundas evaporou-se, a ironia continua presente. Nova Iorque deu lugar a Londres, Woody Allen encontrou uma nova musa em Scarlett Johansson e o resultado final é um filme mais tenso e cinzento que o habitual na sua filmografia, pelo menos na filmografia mais recente.

Chris Wilton é um professor de ténis que se casa com Chloe Hewett, uma jovem da alta sociedade inglesa. A ascensão social de Chris parece correr sobre rodas, não tivesse ele uma paixão incontrolável pela bela Nola Rice, a namorada do seu cunhado. A premissa que facilmente se poderia confundir com o argumento de uma qualquer telenovela mexicana é na verdade uma história interessante, usada com mestria pelo realizador na sua análise da importância que a componente aleatória tem na vida de cada um.

O elenco é liderado por Jonathan Rhys-Meyers e Scarlett Johansson mas, a meu ver, não é nos seus protagonistas que reside o ponto alto a nível de interpretação. Verdade seja dita, Scarlett assina mais uma interpretação interessante mas nunca deslumbrante (nota para os leitores de sexo masculino: dispensa-se o comentário que lhe veio à cabeça) e o actor inglês acaba por ser um tanto ou quanto parco a nível de intensidade dramática. No entanto, se os protagonistas não vão além do razoável, toda a família Hewett está extremamente bem conseguida, com destaque especial para Emily Mortimer.

Acredito que, pela mensagem que transmite, Match Point possa provocar um certo desconforto interior no espectador. Pessoalmente gostei e considero-o bem mais interessante do que filmes recentes como Melinda and Melinda, Anything Else ou Hollywood Ending.

8/10

4 Comments:

Blogger H. said...

Sou uma fã do Allen há quase tantos anos cm aqueles que vejo cinema a sério.
«Match Point» é incomparável, mas a genialidade está lá, puríssima!

Ao contrário de ti, gostei bastante dos protagonistas, sobretudo Rhys-Meyers que achei fabuloso na sua composição.

Tenho a minha crítica a meio, em príncipio hoje sai como post... Mas parece haver tanto para dizer que todas as palavras faltam...

9:18 da tarde  
Blogger luis said...

desde que começamos o blog este foi o primeiro filme que me deixou indeciso no que escrever...acho que só vou conseguir depois de o rever

9:55 da tarde  
Blogger Ricardo said...

isso no teu caso deve ser o efeito scarlett :P

1:12 da manhã  
Blogger Ricardo Figueira said...

Adorei, simplesmente. Ao nível do Crash que é para mim um dos melhores filmes de sempre. Pela forma como está filmado, pelo ambiente sonoro, mas principalmente pelo argumento. É dos filmes que quero ver e rever à procura de todos os detalhes e pormenores...
Para um filme de citações...
"Wit is educated insolence", Aristotle.

5:29 da tarde  

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