sexta-feira, maio 02, 2008

Postas-de-pescada - volume 2

Porque eu também tenho pouco tempo...


The Other Bole
yn Girl: 4/10

Uma grande desilusão. Pensei Natalie Portman, Scarlett Johansson, Eric Bana. Pensei Henrique VIII e as suas mil mulheres. Pensei bastante potencial. Obtive novela mexicana com banda sonora de novela mexicana. Só mais lá para o final, com o aumentar da seriedade da história, o filme consegue ganhar algum respeito, mas já é tarde demais.



Into the Wild: 9/10

Imediato e inquestionável mudador de opinião acerca de Sean Penn. A história: o tipo de história que qualquer cineasta deseja transformar em filme. A habilidade de Sean Penn em o fazer de uma forma absolutamente sublime. A fantástica interpretação de Emile Hirsh. A poética narração de Jena Malone. Os fantásticos cenários e fotografia. O desejo de ter a coragem para fazer metade que seja do que só Christopher McCandless foi capaz de fazer. A impossibilidade de se sair indiferente da sala de cinema. Que venha o diabo e escolha a melhor coisa deste filme.



We Own the Night: 5/10

Uma história assim-assim. Não entretém. Não aborrece. Ideal para quem gosta de ver a Eva Mendes em actos românticos, o Joaquin Phoenix com uma cara de sofrimento durante mais de metade do filme e o Robert Duvall num dos seus papéis de sempre. Ideal para ver daqui a dois anos numa tarde de sábado, na SIC.



Youth Without Youth: ?/10

Depois de 10 anos sem fazer nada, Francis Ford Coppola sai-se com isto.
Quem gostar de filmes [pseudo?] intelectualóides, veja e depois volte cá, para discutirmos.
Quem não gostar de filmes esquisitos e aparentemente pointless, pegue nos 5 euros e vá comer um gelado.



The Bank Job: 7/10

Surpreendentemente cativante. Um argumento bem desenvolvido e um monte de caras praticamente desconhecidas, mas agradáveis. Ritmo bem mantido, acção e adrenalina usadas na dose certa. Resultado: nunca se perde o interesse.

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segunda-feira, abril 30, 2007

(Crítica) Shooter

Shooter
de Antoine Fuqua
(2007)

“I still have the shovel”

Shooter gira em torno de Bob Lee Swagger (Wahlberg), um dos melhores snipers do exército norte-americano. Numa missão algures na Etiópia, Swagger fica entregue a si próprio depois de ter sido abandonado no campo de batalha mas, ainda assim, consegue escapar, renuncia à vida militar e retira-se para as montanhas… até ao dia em que o alto responsável da segurança norte-americana lhe pede ajuda para evitar um atentado à vida do presidente. Relutante, Swagger acede ao pedido e quando dá por si tem duas balas no corpo, a sua cara exposta nas televisões de todo o mundo e todas as organizações de segurança norte-americanas atrás de si, o alegado autor do disparo que teve lugar na cerimónia em que o Presidente iria discursar. A partir daí, acompanhamos a trajectória relativamente linear de Swagger: [spoiler fraquinho] foge, cura-se, percebe o que se passou e vinga-se [/spoiler]

O argumento, para além de parco em originalidade, deixa também algo a desejar no que toca à solidez, havendo alguns acontecimentos algo implausíveis na lógica narrativa. Ainda assim, tem duas frases (“These people killed my dog” e “I still have the shovel”) muito bem conseguidas no contexto em que aparecem. De facto, nem tudo é mau e o filme acabou por superar as minhas expectativas à entrada do cinema. As interpretações não são fantásticas mas não comprometem e a Mark Walhberg acaba por ter um desempenho bastante sóbrio neste seu primeiro franchise [(?) -há mais dois livros sobre a mesma personagem, resta saber se serão adaptados ao grande ecrã]. Antoine Fuqua também dá uma ajuda, conseguindo criar alguma tensão em momentos chave.

Dentro dos inúmeros eu-(quase)-sozinho-levo-exércitos-inteiros-à-frente, Shooter fica a meio caminho entre xXx e a saga Bourne. Não tendo grosseirismo e prepotência de xXx, Shooter tem alguns excessos que não lhe permitem atingir a elegância da saga de Matt Damon.

A nota mais sensata a atribuir a um filme como este seria 5. No entanto, e apesar do meu profundo desprezo pela esmagadora maioria das coisas que encerra a vida militar, sempre tive um fascínio por espiões e snipers. Sempre lhes atribuí uma componente cerebral e uma componente de perícia e o facto é que este filme acaba por as retratar de forma bastante competente. Independentemente de tudo o resto, ver Mark Walhberg a disparar a distâncias superiores a meio quilómetro foi algo que gostei, efectivamente, de fazer.

6/10

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quarta-feira, janeiro 24, 2007

(Crítica) Deja Vu

Deja Vu
de Tony Scott
(2006)

“What if you had to tell someone the most important thing in the world, but you knew they'd never believe you?”

Em 2004, Denzel Washington e Tony Scott juntaram-se para nos oferecerem um filme de elevada qualidade. A saber, Man on Fire, filme que vinha também confirmar o incontornável talento da jovem Dakota Fanning. Dois anos depois, actor e realizador voltam a encontrar-se e trazem até nós este Deja Vu

Sucintamente, tentando não estragar as surpresas oferecidas pelo argumento, a história gira em torno de um atentado a um ferry boat em New Orleans. Durante a investigação, Doug Carlin, um agente do Bureau of Alcohol, Tobacco and Firearms, é recrutado por uma unidade especial de vigilância do FBI que dispõe de tecnologia capaz de alterar as nossas noções mais elementares de espaço e tempo.
O gozo que o argumento pode proporcionar ao espectador depende grandemente da postura com que se entra na sala de cinema. Quem quiser criticar, certamente terá muito por onde pegar. Quem se quiser deixar levar, terá um argumento interessante, dotado de algumas surpresas e que nos brinda com uma cena final bastante bem conseguida.

Quanto ao trabalho de Tony Scott, é certo e sabido que tem que haver cenas de acção e explosões nos seus filmes. No entanto, sendo quem é, é justo dizer que até fez um trabalho relativamente sóbrio, sendo que a principal reparo que lhe tenho a apontar é o prolongamento para além do razoável da cena de “perseguição”. De resto, o senhor parece estar no bom caminho para curar a sua câmara nervosa que a mim sempre me fez alguma confusão e acaba por fazer razoavelmente o que se lhe pede.

O destaque do filme vai para Denzel Washington que prova todo o seu talento e consegue, nos momentos críticos em que o espectador está à beira de desligar da história, carregar o filme às costas.

Longe de ser um filme fantástico e estando uns furos abaixo de Man On Fire, este Deja Vu é perfeitamente capaz de entreter todos aqueles que estejam dispostos a deixarem-se levar.

6/10

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(Crítica) Scoop

Scoop
de Woody Allen
(2007)


I don't need to work out. My anxiety acts as aerobics.



Scoop é uma comédia divertida, embora não seja brilhante, nem dotada da genialidade que, frequentemente, pauta os filmes de Woody Allen.

Scarlett Johansson encarna uma jovem estudante desajeitada e algo desbocada, que, por imperfeição do argumento, tão depressa parece estar extremamente empenhada em resolver o mistério, como rapidamente se resigna a aceitar explicações que se apresentam mais convenientes.
Woody Allen, com os seus típicos diálogos de análise, desempenha o papel de uma personagem neurótica e eternamente preocupada (para não variar), ultrapassando, por vezes, a barreira do cansativo.
Hugh Jackman está lá, assim como poderia estar qualquer outro actor bem-parecido e com um sotaque janota.

No entanto, mesmo com um argumento trivial, alguns diálogos iniciais que parecem sair pouco naturais e uma história que não é suficientemente misteriosa (e que não tem o impacto final que poderia ter, dado que, atingido o clímax, tudo se resolve muito depressa), o filme tem partes interessantes e várias deixas divertidas (que, inevitavelmente, servem para lembrar que, fantásticos ou não, vale sempre a pena dar uma olhadela aos filmes de Woody Allen).

Um filme simpático, mas dispensável.

6/10

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